GATO PÊLO CURTO BRASILEIRO: UM FELINO GENUINAMENTE NACIONAL
O Pêlo Curto Brasileiro, que já tem até um selo do Correio lançado em sua homenagem, é descendente dos exemplares da subespécie Felis Silvestris Iberica, trazida pelos portugueses a partir do início da colonização. Porém, no Brasil, a espécie desenvolveu um padrão específico e não é mais enquadrada na mesma classificação dos primeiros felinos trazidos da Europa.
Pêlo Curto Brasileiro, ...
uma raça genuinamente nacional
A mobilização para reconhecer nossos gatos como formadores de uma raça específica teve início em 1985, quando o criador Paulo Ruschi, então presidente da Federação Brasileira do Gato, sediada no Rio de Janeiro, organizou equipes de 3 e 4 criadores, para que fossem observadas e relacionadas as características comuns de nossos felinos, a fim de que pudessem ser estabelecidos os padrões que originariam a reivindicação de que o Pêlo Curto Brasileiro pudesse ser reconhecido internacionalmente como uma nova raça.
As pesquisas foram realizadas no Rio de Janeiro, no Ceará e no Rio Grande do Sul. Os criadores andaram pelas ruas e cadastraram 40 gatos, que tiveram estudados a forma do corpo, o nariz, a cabeça, as patas, os olhos, a cauda, o focinho e a pelugem. Apesar da distância entre as regiões onde os bichanos foram observados, muitos aspectos comuns entre as características dos felinos foram constatados. A partir dessas caraterísticas comuns, foram estabelecidos os padrões da nova raça batizada com o nome de Pêlo Curto Brasileiro.
Para que uma nova raça seja aceita como tal, é necessário que características físicas comuns tenham sido transmitidas pelos ancestrais à atual geração, e continuem a ser passadas aos descendestes desta.



Foi observado que as características comuns responsáveis pela classificação de um gato como sendo Pêlo Curto Brasileiro são: peito largo, pernas de tamanho médio e patas arredondadas, cabeça de tamanho médio ou pequeno, mais comprida do que arredondada.
O pêlo é bem deitado junto ao corpo, sedoso, com cores vivas e brilhantes; apresentam cores creme, dourada, castanho clara, cinza, amarelo, preto e mesclado bicolor. Não há subpêlo. O corpo é longo e elegante, sem aspecto excessivamente musculoso.
As orelhas são médias ou grandes, arredondadas nas pontas; sua altura é sempre maior que a largura da base, e são posicionadas acima da cabeça levemente para o lado. A cauda é média ou longa, não é grossa na base e vai afinando até a ponta, que possui característica arredondada.
Os olhos são bem abertos e redondos, com sutil obliqüidade e geralmente combinando com a cor dos pêlos. Alguns gatos brancos da raça podem apresentar um olho de cada cor.


Depois que essas características físicas foram estabelecidas como o padrão da raça, os criadores brasileiros solicitaram à Word Cat Federation (WCF), com sede na Alemanha e representada em 17 países, o reconhecimento internacional do Pêlo Curto Brasileiro como uma nova raça genuinamente nacional. O reconhecimento da WCF não ocorreu num primeiro momento, porém, a Federação Brasileira do Gato (FBG) começou a emitir o Registro Inicial (RI), que é uma espécie de pedigree concedido a novas raças. Gatos de rua que se enquadrassem no padrão estabelecido recebiam o RI da FBG.


Apesar dos esforços iniciais para o reconhecimento de uma nova raça genuinamente brasileira, o número de criadores profissionais era bem pequeno, já que o gato brasileiro, encontrado tão facilmente nas ruas, não tinha expressivo valor comercial.
Em 1997, o criador Paulo Ruschi foi convidado para dar uma palestra para juizes e dirigentes da World Cat Federation, na Alemanha. O estudo foi apresentado e, um ano depois, em 1998, nosso gato "verde e amarelo" foi reconhecido como a raça Pêlo Curto Brasileiro pela WCF, que recomendou que as particularidades físicas da nova raça fossem aceitas como o padrão oficial do gato brasileiro.



A raça Pêlo Curto Brasileiro obedece a um padrão internacional rígido. Sendo assim, nem todo gato encontrado no Brasil é um Pêlo Curto Brasileiro puro. A criadora Sylvia Roris, dona do Gatil Syarte, foi a primeira a exportar exemplares da raça. Ela afirma que o Pêlo Curto é muito dócil com estranhos: "Só o dono pode mudar esse comportamento. Uma pessoa agressiva tem grandes chances de ter um gato da mesma forma", diz Sylvia, e completa contando que eles chegam perto das visitas, pulam no colo, se enlaçam nas pernas e trocam afagos e carinhos.
Sylvia também recomenda que os criadores dêem, além da ração comum, uma porção de ração úmida pelo menos uma vez ao dia, pois como o gato é um animal originário do deserto, às vezes não bebe água e o alimento úmido acaba ajudando na hidratação, sendo excelente para manter a saúde dos bichanos.
Cássio Ribeiro
Críticas e sugestões: e-mail zzaapp@ig.com.br e orkut http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=18423333339962056517

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